quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O traço na parede...

O garoto se olhou no espelho
Buscando a fórmula do crescimento
Ser um adulto para dar conselho
Pois tinha pressa sem discernimento

O pai tentou explicar o lógico
Contando ao filho que tudo tem seu tempo
Disse o contexto morfológico
Destacou que o processo é bem lento

O menino apenas sorriu
Fez mais um risco na parede
Fechou os olhos e se mediu
Esticou-se sem pensar no aparente

Ao abrir os olhos, um susto
Deus ouviu sua prece
O traço acima da cabeça era uma prova
Quem acredita cresce


*Texto selecionado em concurso literário para a antologia Quem Acredita Cresce.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Filhos desse tal de Brasil...

Existe algum brasileiro que está satisfeito com a votação na Câmara dos Deputados sobre o caso Temer? Obviamente, não! Pelo menos é assim que as pessoas que não receberam emenda parlamentar extra pensam. Para mim, é tão difícil entender o fato de os representantes do povo não representarem o povo, mas...

Sei que o nosso presidente não se chama "mãe Joana", mas isso explicaria o uso do poder de forma tão aloprada. Afinal, essa é a lei desde os primórdios da natureza humana: as mães sempre estão certas, até mesmo quando erram:

- Quem foi que pegou o livro sobre paciência com os filhos que estou lendo?

- Ninguém, mãe!

- Então onde ele está?

- Vi ele lá no sofá.

- E ele saiu daqui voando para lá, foi?

- Claro que não, né?

- Então quem levou ele para lá? Eu sempre deixo ele bem aqui, oh!

- Larga de ser doida mãe! Foi você mesmo que levou quando foi mostrar pro papai aquele trecho sobre silêncio e obediência.

A mãe deu um tapa certeiro na nuca do filho:

- Você me respeita que eu sou sua mãe! Se eu sou louca, a culpa é sua, pois você só me dá dor de cabeça.

- Mas mãe! Foi você mesmo que deixou lá.

- É você viu é não botou no lugar! - Disse enquanto dava um novo tapa, agora aquecendo a orelha do jovem.

Na casa da mãe Joana, todo mundo pode fazer tudo, menos o filho. Você pode até estar certo, mas, para o povo, restará apenas o tapa no pé da orelha. É lá vem reajuste da gasolina, mudanças trabalhistas e novos impostos. Afinal, somos filhos desse tal de Brasil, liderado por uma pessoa que não pode ser julgada... A mãe? Não! O presidente.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Na teoria, sempre é melhor a prática...

Como faz bem para a saúde mental uma pitada de loucura.

Sim, eu sei! Na teoria, a prática não é nada teórica. No fim, não há nada mais lúcido do que viver seus sonhos. Nada é mais valioso do que amar sem pedir nada em troca. Nada é mais sensato do que ter fé.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Uma noite, há quatro anos...

Sentei na frente do computador e pensei: por onde começar?

Acho que o clima nostálgico me envolveu e as lembranças me fortaleceram. Algumas datas vieram a tona, tornando-me sujeito a revivê-las. 

Primeiro, 21 de junho de 2013. Foi o dia que lancei o livro No Vermelho, na Fnac Brasília. Como não sentir  de novo a adrenalina momentos antes do evento, enquanto aguardava no camarim. Lembro-me de perguntar para o técnico de som:

- E aí? Já chegou alguém?

Ele olhou pela porta e respondeu com seriedade:

- Tem duas mesas ocupadas.

O meu sorriso se desfez. Será que o evento ficaria vazio? Minha família paterna já tinha alertado que não conseguiriam chegar por conta de uma manifestação. Fecharam a rodovia que dava acesso ao shopping e o trânsito estava assustador. Imaginei meu pai falando para o manifestante: "Preciso passar para ir ao lançamento do No Vermelho". Possivelmente, a resposta seria: "Coxinha". Enfim, era melhor não arriscar sair de casa:

- Ainda é cedo para dizer. Falta uma hora para o evento - Alertou o técnico, me incentivando a averiguar a afirmação.

Olhei no celular. Ele estava certo. Faltava cinquenta minutos para o início do lançamento. Duas mesas? Isso já era surreal. Vinte minutos depois, ouvi conversas e comentários. Era a platéia aumentando. Logo, chegou o grande momento.

Começou com um vídeo e um longo silêncio do público, mas logo na primeira cena, vieram as gargalhadas. Coloquei as luvas de boxe e me preparei para entrar ao som da trilha do Rocky Balboa. Ao sair do camarim e dar de cara com tantas pessoas, não sei dizer o que senti. Foi como uma descarga de energia positiva. 

Após o discurso, foi a hora de deixar a dedicatória e tirar fotos. Após atender o segundo leitor, tive uma grande surpresa com a fala do técnico, que novamente falou com seriedade:

- Acho melhor você autografar mais rápido, pois a fila está gigantesca.

Acelerei as dedicatórias sem deixar a desejar. Foi uma noite inesquecível e surreal. No fim do evento, que teve transmissão ao vivo pela internet, olhei para a equipe que abrilhantou a noite e sorri. Missão cumprida, caros amigos. Missão cumprida!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O cartão e o bilhete...



A campainha tocou e a empregada correu para abrir a porta, afinal, a patroa reclama sempre após o segundo toque. Já sabia o discurso até de cor: "A pessoa que trabalhou antes de você foi demitida porque um convidado meu tocou cinco vezes e ninguém abriu. Não arrisque para ver, hein mocinha", dizia a madame com desprezo. 

Do lado de fora, deparou com um entregador escondido atrás de um grande buquê de rosas:

- Senhora Ana Ricof? - Perguntou o senhor tentando vê-la por cima das flores.

A dona da casa apareceu de repente:

- Sou eu! Sou eu! - Disse empurrando a funcionária.

A patroa pegou o grande presente e entrou saltitante. Antes de fechar a porta, a empregada cumprimentou o entregador, que cochichou:

- Você é a Antônia?

- Sim! Sou eu - respondeu surpresa.

- Também tenho uma entrega pra você - revelou estendendo a mão com um pedaço de papel amaçado.

Na sala, D. Ana lia o cartão elegante com detalhes dourados e uma letra feminina: "Estou em uma viagem de trabalho e pedi para minha secretária escolher um presente para você. Feliz Dia dos Namorados". O silêncio da patroa descreveu a frustração.

Já na cozinha, Antônia abria o bilhete improvisado em uma folha de caderno: "Queria apenas dizer que te amo. Saudades". O brilho no olhar narrava uma história de amor correspondida.

A cozinheira percebeu o suspiro alheio:

- Oxe, menina! Que sorriso bobo é esse ai? Posso saber o motivo?

A empregada apenas guardou o bilhete e afirmou:

- Eu apenas ganhei um presente da vida que nenhum dinheiro no mundo é capaz de comprar.

sábado, 8 de abril de 2017

Com as raízes em Brasília...


Estou muito feliz por ver que todo esforço valeu a pena. Em 2010, eu era um moleque com um original debaixo do braço com o sonho de vê-lo nas estantes das livrarias. Hoje, me sinto honrado em ser reconhecido como escritor de Brasília, afinal, é uma cidade que amo de coração. Sou fã deste quadradinho no meio do Goiás.

Por que estou falando disso? No mês passado, a coluna Literarte, do site Brasília de Fato, publicou uma lista bem rica com escritores e militantes culturais da cidade. Estre os 22 autores citados, estava o meu nome. Para conferir a publicação, basta clicar aqui.

Se eu já tinha motivos para estar com um sorrisão no rosto, esta semana o Ponto Para Ler publicou uma lista com 5 escritores e escritoras de Brasília que o site recomenda conhecer. Para minha surpresa, meu nome também estava lá. Confira a matéria clicando aqui.

Enfim, sinto orgulho de ver que nossa cidade tem muitos escritores de destaque e, obviamente, me sinto muito alegre por fazer parte deste time. Isso só me motiva mais a continuar firme, produzindo e produzindo.

É isso aí! Vamo que vamo!

Fim da parceria com a Kiss Web Rádio...

Informo que os áudios humorísticos do Playotropia e o iPobrecast não estão mais na programação da Kiss Web Rádio, do Ceará. O motivo? Com 9 anos e 8 meses de existência, uma das mais antigas radio web do país encerrou as transmissões. 

A parceria durou cerca de 6 meses, com 25 inserções semanais. A rádio já foi indicada como líder no segmento jovem no Norte/Nordeste pelas estatísticas do site Rádios.com.br, chegando a ficar entre as 25 rádios online mais acessadas do país.

Enfim, foi uma honra fazer parte, mesmo que por um pequeno espaço de tempo, da história da rádio, na qual não tenho nenhuma crítica ou reclamação.

Segue abaixo a mensagem publicada pela Kiss Web Rádio:



domingo, 2 de abril de 2017

Pobres novos pobres...


***Atenção: este texto contém ironia


Um estudo inédito do Banco Mundial, noticiado pelo jornal O Globo, apontou uma coisa bem assustadora: o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil aumentará entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim deste ano. Para que se tenha uma noção, este número é maior que a quantidade de habitantes na Faixa de Gaza, que atualmente supera os 2 milhões.

Nunca foi à Faixa de Gaza? É! Acho que este não foi o melhor exemplo. Digamos que equivale a quantidade de pessoas que se reúnem no réveillon de Copacabana para ver a queima de fogos, segundo dados da Riotur. 

No estudo, eles são denominados pelo Banco Mundial como “novos pobres” e são, na maioria, adultos jovens, de áreas urbanas, com escolaridade média e que foram expulsos do mercado de trabalho formal pelo desemprego:

- Nossa! Que notícia assustadora! - Disse Alexandre enquanto tomava mais um gole de vinho.

- É! O mundo está em crise - Respondeu o mordomo enquanto preparava o próximo taco de golfe que o patrão utilizaria.

Alexandre cheirou o copo com elegância e depois virou-o como um bêbado toma cachaça. Depois de toda cerimônia, o jovem pegou o taco e se preparou para arremessar a bola com glamour. Antes, percebeu que o mordomo estava apreensivo:

- O que aconteceu? Esta sua cara aflita está atrapalhando na minha jogada.

- Não sei como dizer isso, senhor, mas preciso te contar uma coisa.

Pela tonalidade do funcionário, logo percebeu a seriedade do assunto:

- Pois diga logo antes que eu conclua a tacada! - Exclamou ainda se posicionando para finalizar o movimento atlético.

- Sabe esta notícia que o senhor comentou? Pois é! Eu sou um dos "novos pobres".

A afirmação chocou o patrão:

- Mas como isto é possível?

- Meus quatro filhos estão desempregados e, com o salário que o seu pai me paga, ficamos no aperto.

- Não exagere! Não sei o porquê de tanto drama. Vou falar com o meu pai e ele contrata seus filhos para fazer algo aqui na nossa mansão - comentou enquanto levantava o taco com precisão.

- Acho muito difícil, senhor! Já que a situação aqui também não está das melhores.

A tacada lançou apenas um pedaço de grama, mantendo a bola intacta:

- O que vocês quer dizer com isso?

- Sabe aquelas ações que o seu pai comprou? Elas despencaram e a empresa dele está em crise. Possivelmente, vocês também estarão entre os 2,5 milhões de "novos pobres" até dezembro.

- Isto é impossível! E se fosse verdade, meu pai pediria dinheiro emprestado para o meu avô e se reergueria. 

O mordomo tentou segurar o sorriso:

- Seu avô? Perdoe-me pela sinceridade, senhor, mas aquele pobre idoso também está em crise por conta de gasto com plano de saúde e remédios. Com os reajustes na previdência, ele só deve se aposentar daqui a dez anos. Enfim, certamente será um dos "novos pobres" até o final deste ano.

- Não pode ser! Eu não posso ficar pobre! O que os meus amigos vão pensar de mim?

- Se o senhor se refere a aqueles filhinhos de papai que te bajulam com frequência, não se preocupe. Eles também estão quebrados e não devem passar das férias do meio do ano. Todos estão entre os 2,5 milhões do estudo.

O jovem deixou o taco escorregar entre os dedos e cair no chão. Precisou de alguns minutos para digerir as informações recebidas:

- Mas não se preocupe, senhor. O governo brasileiro já pensou em tudo e tomou precauções após verem o estudo do Banco Mundial. 

O mordomo entregou para o rapaz uma cartilha, que trazia um passo a passo de como se tornar um "novo pobre". O jovem se entregou aos prantos e o empregado pensou: "Pobre menino". Ou seria "Pobre menino pobre"?

Obviamente, seria bem mais divertido fazer parte dos 2,5 milhões do réveillon de Copacabana, mas...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Antes que eu vire documentário no "The History Channel"...


Para romper o silêncio que surgiu na conversa, nada melhor do que falar da vida dos outros:

- Faz tempo que não vejo nenhuma postagem no blog daquele escritor grandão. O que será que aconteceu com ele?

- Sei lá! A última vez que eu o vi foi em uma foto num asilo. Ele parou de usar óculos e engordou pra chuchu, acredita?

- Nossa! Então é perigoso eu encontrar ele na rua e nem reconhecer, hein! Quer dizer que ele estava em um asilo?

- Pois é! Quem diria... Tão jovem e já foi parar num lar dos velhinhos. Nas redes sociais, ele disse que era apenas uma gravação, mas o cara não me engana. Dizem até que ele se aposentou da literatura.

- Sério? Acho que não! Pelo que fiquei sabendo, ele deu uma pausa para se dedicar à família e está procurando uma editora perfeita.

- Vish! Então vai demorar. Todas as editoras têm algum defeito. Será que ele não pensa em nós, leitores? 

- Complicado! Me disseram que ele vai publicar o novo livro este ano, mas garantido mesmo só a participação em duas antologias.

- Antologias?

- Isso mesmo! A primeira ele ficou sabendo já no segundo dia do ano. É de uma das editoras dele lá de Portugal. O nome do livro será “Além da Terra, Além do Céu” e deve ser lançado em maio deste ano.

- Texto inédito?

- Mais ou menos. Parece que é uma adaptação de uma poesia antiga do autor. 

- Putz!

- A outra publicação será a primeira coletânea do Projeto Apparere. O texto dele foi um dos 30 selecionado para compor um livro de contos. 

- Conto inédito?

- Não! É um texto do segundo livro dele.

- Poxa vida! Que falta de consideração com os leitores. 

- Pois é! Baita falta de consideração. Só nos resta reler as obras anteriores. Você já leu os dois livros dele? 

- Ainda não, mas isso não justifica o desrespeito com os leitores. Tomara que ele lance logo este novo livro.

- Tomara mesmo.

- Tomara que ele escreva bastante neste asilo que ele anda filmando aí.

- Deus te ouça!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Sobre o "Escritor Solidário"...


Sim, eu dei uma sumidinha, mas foi por uma boa causa. Estava me dedicando a um novo projeto, que estreou ontem: o Escritor Solidário.

É a realização de um sonho e um grande desafio, já que sou responsável pelo roteiro e direção do programa. Obviamente, isso também é bem positivo, pois o programa fica completamente a minha cara. 

A cada mês, um escritor e uma instituição é apresentada em um novo episódio. Enfim, confira o resultado no canal no Youtube, no Facebook ou no blog do projeto.

Vamos juntos escrever esta história!